Alguém mais se sentindo improdutivo na quarentena?

Alguém mais se sentindo improdutivo na quarentena?

Tem mais de dois meses que estou em casa, com meu marido e filhas, tudo sob controle (na medida do possível, claro), mas me sentindo meio culpada… onde está minha energia para fazer as mil lives que todos estão fazendo, os textos para ajudar as outras pessoas a serem mais produtivas, terminar simplesmente alguns projetos de casa e de trabalho que eu tinha planejado para a quarentena, e que estão se arrastando? E os empreendedores? Esses estão tendo que implementar novas soluções para lidar com mudanças de direcionamento quase diárias, precisam decidir o que fazer com os colaboradores, redefinir seus produtos ou serviços para que tenham mais chance de sair dessa fase ainda com uma empresa em funcionamento. São muitos desafios.

Estudo comportamento humano faz tempo, e nessa quarentena tenho  ouvido vários livros da Brené Brown, já vi os ted talks, e em um capítulo que ouvia enquanto caminhava essa semana ela estava falando de como as pessoas reagem de forma diferente ao estresse.  Em inglês ela usa os termos “over-functioning” e “under-functioning”, ou seja, algumas “funcionam demais” e outras “funcionam de menos” quando estão lidando com mudança, adaptação, incertezas.  Embora os dois grupos estejam reagindo exatamente ao mesmo sentimento/ momento, que sorte tem aqueles que reagem fazendo mais, não? Eles naturalmente produzem mais, resolvem problemas, criam formas incríveis de ajudar quem precisa através de projetos, e fazem lives, muitas lives. Falo isso com uma certa inveja pois, do meu lado, embora não tenha nada do que reclamar, ou algo que me impeça na prática de fazer um monte de coisas, me sinto meio paralisada. “Funcionar demais” ou “funcionar de menos” não são extremos, certamente existem vários níveis, mas eu me vejo mais no segundo grupo. De acordo com a pesquisa dela, a população está dividida em aproximadamente 50% tendendo mais para cada grupo. Embora empreendedores façam parte de um grupo peculiar e com muitas características em comum, é possível que vários deles também se vejam nesse segundo grupo.

Nisso, vejo dois pontos importantes que precisamos considerar:

– Para os que “funcionam demais”: é preciso ter cuidado, pois essa reação, embora ótima num primeiro momento, pode custar caro no longo prazo;

– Para os que “funcionam de menos”: é preciso reconhecer esse padrão, saber que isso é uma reação normal, mas ter consciência de que não devemos “nos entregar”. Reconhecer e aceitar a situação é um bom primeiro passo, mas não é suficiente para nos colocar em movimento. Para mudar esse estado existem muitas coisas que podemos fazer sozinhos, entre elas definir uma rotina (que seja um pouco desafiadora, mas totalmente factível) e seguí-la; se organizar por tarefas a serem cumpridas em cada espaço de tempo, e outras, mas é importante lembrar que saber pedir ajuda é uma grande virtude. Se você não estiver conseguindo encontrar um caminho sozinho nesse momento, conte com outros amigos, empreendedores, família, ou procure ajuda profissional, fazendo por exemplo uma terapia e/ou coaching profissional.

E lembre-se sempre. Esteja você em um grupo ou em outro, você não está sozinho.

 

(TEXTO PUBLICADO NA REVISTA PEQUENAS EMPRESAS & GRANDES NEGÓCIOS – JUNHO 2020)

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