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O que podemos esperar da educação no futuro?

O que podemos esperar da educação no futuro?

Ao longo dos últimos anos, temos visto um modelo de educação surgir para substituir o tradicional – aquele que nos acompanha desde a infância, sempre com períodos longos de aprendizagem e, em grande parte, genérico.

As novas soluções têm se destacado com cursos curtos e que são focados em competências ou habilidades bem específicas. Eles têm sido muito procurados por quem quer se desenvolver rapidamente e de maneira mais focada.

Este novo modelo, que tenho chamado de “formação personalizada”, vai muito além do que é ensinado nos cursos formais de graduação e de pós-graduação. Ele busca complementar o currículo do profissional com opções que sejam extremamente adequadas ao que ele precisa no momento.

Isso significa que, agora, é possível que os profissionais criem a sua própria trilha de conteúdo, juntando as peças do seu quebra-cabeça e montando um mosaico de cursos de acordo com o que é realmente necessário. E este é um grande diferencial, já que cada pessoa passa a ter autonomia para montar o seu próprio pacote de aprendizado, combinando temáticas que sejam essenciais para que acelerem as suas carreiras. Também passa a ser possível aprender sobre algumas habilidades em uma instituição, enquanto busca uma nova escola para falar de outras competências, por exemplo.

Em 2018 participei de um workshop (“Using improv to succeed in business”)
na General Assembly (GA), em São Francisco. Inicialmente eles eram bem focados em cursos mais técnicos e voltados à tecnologia, mas outras aulas mais relacionadas a habilidades essenciais, como negociação, vendas, persuasão, criatividade e inteligência emocional foram ganhando espaço. Lá conversei na época com o Peter Elfers, que era o Senior Sales Representative, e ele comentou que estava crescendo bastante a demanda por esses cursos mais focados.

Como eu vejo essa mudança acontecendo:

quadro_coluna_thees (Foto: Arquivo pessoal)

Para você entender melhor o que isso significa na prática, vamos falar um pouco sobre  duas das escolas que já oferecem opções seguindo este novo modelo aqui no Brasil.

Conquer: mais de 500 mil pessoas impactadas durante a pandemia
A Conquer nasceu da insatisfação com o ensino tradicional – faculdades e pós-graduações – por focarem muito na teoria e pouco na prática. Por isso, os cursos oferecidos valorizam a execução. Prova disso é que aproximadamente 90% dos seus professores nunca tinham dado aulas antes.

Conversei com o co-fundador Hendel Favarin sobre como isso tudo começou, como a escola escolhe seus professores, e o que querem oferecer aos alunos. “Eles vivem de dia o que ensinam na Conquer”, diz ele sobre os professores. Para Hendel, essa conexão com o mercado é essencial e faz com que as escolas alternativas estejam ganhando cada vez mais espaço.  “Esse ensino acompanha a demanda por profissionais mais adaptáveis. Atualmente, existe um gap entre o ensino tradicional e o mercado de trabalho… E é aí que entra esse novo modelo”, diz.

Hendel Favarin, cofundador da Conquer (Foto: Divulgação)
Hendel Favarin, cofundador da Conquer (Foto: Divulgação)

 

Além disso, é importante observarmos que a educação tradicional não atua no desenvolvimento das soft skills. Muitas pessoas tem um desempenho ótimo em testes de lógica, mas não conseguem manter a boa performance durante as entrevistas, por exemplo. “Começamos a olhar para essas habilidades que o ensino tradicional não ensina: inteligência emocional, criatividade, senso crítico. Em uma infinidade de advogados no Brasil, o que diferencia um profissional do outro? Não é somente a faculdade que ele faz… é o poder de relacionamento, de vendas, de oratória. Isso é o que faz dele um excelente advogado! Pensar nisso abriu os nossos olhos e passamos a querer ensinar esse tipo de conteúdo, com uma metodologia diferenciada.”

Hendel define as habilidades ensinadas na Conquer como sendo atemporais, já que há 2 mil anos já se falava de negociação, vendas, persuasão. São competências que todo mundo deveria aprender, independendentemente da área de atuação. Elas poderiam ser comparadas com tronco de uma árvore, que dá a sustentação para todo o resto.

Com unidades em 6 cidades do Brasil e mais de 2000 alunos, durante a pandemia, a escola acelerou o seu processo de transição para o online.

Estava conversando um dia com minha amiga Marcelle Paiva, que é atualmente professora na Conquer e COO na Oracle, e ela comentou que nunca tinha dado aulas, e que a experiência, mesmo com aulas online, estava sendo incrível.

“Estamos vivendo um cenário atual bem desafiante e também uma oportunidade de reinvenção de teorias antes faladas, e que agora estamos presenciando. Quando recebi o convite para gravar aulas online de 2 assuntos diferentes, um técnico – marketing digital, e o outro mais ligado a comportamento, autoconhecimento, ficou claro para mim como vivemos uma jornada de aprendizado e como ensinar é uma forma acelerada de aprender. Foi minha primeira vez gravando aulas, e tive uma experiência muito prazerosa. Tive uma conexão com os valores da Conquer, de acreditar em uma educação “mão na massa” e de pensar em conteúdos para aquele contexto”, conta.

Marcelle Paiva, professora na Conquer e COO na Oracle (Foto: Divulgação)
Marcelle Paiva, professora na Conquer e COO na Oracle (Foto: Divulgação)

 

O sucesso foi tanto que um dos cursos online foi disponibilizado gratuitamente e impactou 500.000 alunos em mais de 80 países. Com isso, a Conquer entrou para a lista das 100 marcas mais lembradas em tempos de Covid pelos brasileiros, sendo  a mais jovem e a única da área de educação.

Para Hendel, fazer com que o aluno esteja sempre no centro da experiência é o que faz diferença: “Nascemos para alavancar carreiras e saber o real aprendizado dele é o que importa!”.

Tera: uma escola para aprender as profissões do futuro

A escola foi fundada em 2016 por Leandro Herrera, um grande empreendedor que resolveu focar em um assunto pelo qual é apaixonado, a educação, e isso o incentivou ainda mais a explorar formar disruptivas e inovadoras para melhorar esse processo.

A Tera é formada por uma comunidade de pessoas apaixonadas por educação e tecnologia, que acreditam que um mundo melhor nasce do trabalho de pessoas conscientes, responsáveis e corajosas que se apropriam da tecnologia para servir ao coletivo. O foco é investigar o futuro do trabalho e ir criando possibilidades de educação adulta a partir daí.

Na prática, isso significa que os cursos oferecidos falam sobre as habilidades e as competências digitais que já são tão necessárias no mercado.  Todos são práticos e online, com aulas ao vivo, facilitadas por experts nas suas áreas de atuação – todas dentro da tecnologia, que está começando a permear todas as áreas.

Prova disso é que um dos alunos do curso de Ciência de Dados, por exemplo, é um médico que identificou a necessidade de começar a avaliar e analisar melhor as informações que tem em mãos para tomar melhores decisões.

A integração com o mercado é tanta, que além de oferecer cursos diretamente para os alunos, a Tera também atua treinando times de mais de 150 empresas. Entre elas, estão grandes nomes como Stone, Votorantim, Globo e Itaú.

Leandro conta que, atualmente, o público principal da escola são profissionais de 28 a 35 anos, que querem fazer uma mudança lateral de carreira, migrando para o digital ou aqueles que buscam uma transição total.

Leandro Herrera, fundador da Tera: agora vemos a ascensão de um profissional híbrido (Foto: Divulgação/Tera)
Leandro Herrera, fundador da Tera: agora vemos a ascensão de um profissional híbrido (Foto: Divulgação/Tera)

 

Entre os resultados alcançados pelos profissionais que já passaram por um dos cursos da Tera, alguns se destacam:

– 43% tiveram aumento de renda em até 12 meses;
– 25% recebem novas promoções ou oportunidades de trabalho após o curso;
– 57% se sentem mais confiantes no trabalho.

Olhando para este novo formato, para mim, o que fica claro, é que estamos diante de uma revolução na educação. Acho muito importante ressaltar que tanto o modelo “personalizado” quanto o mais tradicional têm seu valor, e tudo vai depender do tipo de formação e experiência que você busca naquele momento específico.

Em vários outros artigos dessa coluna, o tópico principal são os cursos de MBA, os internacionais, com duração de 12 a 24 meses, período integral, cursos ainda muitíssimo valorizados no mercado. Já falamos também da Singularity, outra escola que trouxe um programa inovador. São propostas diferentes. Além do forte conteúdo acadêmico, um dos pontos mais valorizados nesses cursos de mais longa duração são os relacionamentos que você desenvolve, o que não se compara ao que é possível fazer online ou em cursos mais curtos mas, novamente, são propostas diferentes, e vale a pena analisar bem o que você busca na hora de fazer essas escolhas. O importante é saber que, independente do modelo, o que não tem mais vez é estar desatualizado.

 

*Fernanda Lopes de Macedo Thees fundou a Loite em 2007, onde trabalha com desenvolvimento de profissionais principalmente através do Coaching e MBA Prep. Mora em São Paulo, mas adora viajar, seja para Juiz de Fora para ver a família e amigos, ou pelo mundo

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