Wharton @ UPenn

Wharton @ UPenn

Essa foi minha segunda visita à UPenn (2018). Na primeira vez, estava indo para a casa de uma grande amiga de infância, que mora em Delaware. Como meu vôo chegava pela Pensilvânia, fiz o que sempre faço, aproveitei para conhecer a universidade do local. Tive uma reunião com uma representante da área de Carreiras, caminhei um pouco e percebi que precisaria de muito mais tempo do que algumas horas para conhecer melhor a UPenn, e principalmente Wharton. Este ano me programei para passar o dia todo só em Wharton, pois queria rever algumas pessoas, conversar com alunos, fazer minhas tradicionais reuniões com pessoas da escola, e além disso, me cadastrei na “info session” do programa de MBA.

A tradição e o pioneirismo acompanham a Wharton Business School desde a sua criação. Com o título de primeira Escola de Negócios do mundo, ela foi fundada em 1881 pelo empresário e industrial americano Joseph Wharton.

Com sede na Universidade da Pensilvânia, que faz parte da famosa Ivy League – composta por 8 universidades, sinônimo de excelência acadêmica e objeto de desejo de vários estudantes ao redor do mundo – , a Wharton tem como pilares incentivar o espírito de inovação, a capacidade analítica e o empreendedorismo no mundo dos negócios.

Desde o início, o foco era formar líderes visionários, que atuassem em empresas, no governo e em organizações sem fins lucrativos, impactando assim, diversas partes da sociedade.

Atualmente, a ambição da escola vai além: ela quer se tornar a mais abrangente fonte de conhecimento de negócios no mundo.

Durante a minha última visita a Wharton, em janeiro deste ano, pude ver essa cultura tradicional e prática refletida em vários aspectos e também em pequenas simbologias, como nas frases que encontramos pelo caminho da Universidade.

“Bem feito é melhor do que bem dito”.

“Diligência é a mãe da boa sorte”.

Para cumprir a sua missão, até agora, são mais de 235 membros do corpo docente, 96.000 ex-alunos, 5.000 alunos em 10 departamentos acadêmicos, 20 centros de pesquisa e mais de 9.000 participantes de educação executiva anualmente.

 

Pontos fortes de Wharton.

Um MBA de Wharton oferece as habilidades de negócios e liderança necessárias para realizar suas metas ao longo da carreira, mas além disso, um comentário comum, é que a escola dá aos alunos o tempo e os recursos para explorar o que o mundo tem para alguém com ambições menos tradicionais, que geralmente nao cruzam com caminhos típicos de carreira. Para um aluno, por exemplo, auxiliou muito em uma viagem bem longa para a África para que ele pudesse explorar a possibilidade de re-direcionar a carreira para lá.

Pessoalmente, fui tentar descobrir porque ela aparece entre os melhores MBAs Internacionais em termos de ofertas de emprego e ganhos em longo prazo (20 anos).

No Global MBA Ranking do Financial Times 2018 Wharton se encontra em 3o lugar, atrás somente de Stanford e do INSEAD, e no do U.S. News também está em 3o, atrás de Harvard e Chicago Booth, ou seja, não importa muito os critérios usados por cada ranking, Wharton se mantém firme.

De acordo com Nicholas Reise (MBA, turma de 2011), um americano muito mais brasileiro do que vários brasileiros que conheço, e atualmente empreendedor da Xerpa, os dois anos do MBA são especialmente impactantes para quem tiver apetite para se desafiar numa frente que nunca teria tentado antes, por exemplo, empreendedorismo. De acordo com ele, não tem condições melhores do que dois anos com pessoas brilhantes ao seu redor para sondar ideias, e uma gama de aulas e professores que oferecem toda a teoria para você aplicar aos projetos em que esta trabalhando. “Não tive essa cabeça exatamente na época mas, agora como empreendedor, reparo que teria me beneficiado muito em simplesmente correr atrás de algum projeto e utilizá-lo para tangibilizar mais os cursos e – provavelmente – falhar, mas num ambiente seguro, na preparação para um segundo empreendimento depois do MBA. E essas aprendizagens não se limitam à sala – os Wharton Leadership Ventures te incentivam a se jogar em desafios super relevantes para futuros empreendedores, aprendendo como trabalhar em grupo em situações difíceis e de desconforto. Super recomendo. Mas uma recomendação talvez não tão comum no meu olhar seria: se você tiver alguma intuição de não ir no caminho mais típico (banking, consultoria), faça esse compromisso com você mesmo desde o início, e utilize o tempo que você tem na sua própria busca de uma carreira. Identifique dois ou três setores que te interessam, mapeie as empresas nesses segmentos, e corra atrás das pessoas para tomar um cafe com eles, explore como seria trabalhar numa delas. Vai valer a pena, tenha confiança para ficar fiel ao compromisso contigo mesmo e vá all-in na busca do que você quer”, diz Nick.

Os alumni da Wharton (hoje são mais de 95.000) trabalham constantemente em rede, com processos de mentoria, aprendizados e troca de experiências. Aqui no Brasil não se encontram pessoalmente com muita frequência, mas os comentários são sempre de que você pode contar com um colega da sua turma ou de outras. Mesmo não havendo os encontros, há muita troca individualmente.

“A escola me abriu uma rede de alumni no Brasil que me ajudou a rapidamente me integrar na comunidade para achar oportunidades não tão obvias no início”, diz Nick.

Um ponto de atenção mencionado pelo Leonardo Finkler, um aluno da classe de 2018 do MBA, é a falta de divulgação que Wharton tem no Brasil, comparado com a representatividade que tem entre as escolas nos EUA. Para quem é da área de negócios, esse comentário pode parecer injusto, mas realmente é comum pessoas de outras áreas conhecerem Harvard, Yale, e outras, e não conhecerem a UPenn ou Wharton.

“Um amigo verdadeiro é sua melhor posse”.

De acordo com alunos das classes de 2018 e 2019, que encontrei, há também outros diferenciais:

#1 Expandir as suas habilidades de liderança em negócios

Todo o programa de MBA da Wharton é focado em impulsionar a produtividade, o crescimento e o progresso social.

Alguns alunos do curso de MBA, turmas 2018 e 2019:  Leonardo Finkler Gomes, Alexandre Teixeira, Amaro Silvares, Pablo Staubli, Fernanda Thees, Bruno Pedra Signorelli, Rafael Krausz, Bernardo Arrospide, entre outros.

#2 Desenvolver a sua capacidade analítica

A reputação da Wharton como “a escola de finanças” é bem merecida. O conteúdo do MBA exige uma análise de dados rigorosa por parte dos alunos em todo o programa. A tomada de decisões baseada em dados é uma constante e sempre estimulada, o que te ajuda a se transformar em um gestor visionário e pragmático, ao mesmo tempo.

 

#3 Aumentar a sua visão empreendedora

Transformar boas ideias em negócios escalonáveis ​​e sustentáveis está entre as discussões mais frequentes que envolvem professores, alunos e alumni da Wharton. A abordagem desafia conceitos, fomenta novas soluções e fornece o know-how para transformar empresas incipientes em organizações fortes e duradouras.

Na programação do “MBA Admissions & Campus Visit”, a aula de Design Thinking era uma das muitas que tínhamos como opção para participar, para conhecer melhor alguns alunos, professores, instalações e clima em geral. Escolhi essa por ser uma aula prática. Imaginei que em algum momento haveria interação com os alunos, e de fato houve quase o tempo todo. A aula dinâmica e alunos que trabalham de forma colaborativa fizeram dessa uma ótima experiência

#4 Impactar globalmente

A popularidade e o reconhecimento da Wharton continuam crescendo em todo o mundo. Já são três escolas de negócios na Ásia, além do Centro da China Penn Wharton, em Pequim, que está por vir.

#5 Participar do futuro da educação empresarial

O compromisso da Wharton se estende muito além do seu tempo no campus. A escola se torna uma rica fonte de aprendizagem ao longo de toda a carreira.

O importante é encontrar melhor maneira para que você contribua para o ambiente de aprendizado e também esteja em constante evolução, absorvendo novos conhecimentos.

Programa de MBA e application process.

Se você tem interesse em fazer um MBA ou algum dos cursos que oferecem, o round 1 de applications costuma começar por volta de setembro, mas esse é o momento quando você pode já submeter todo o seu material, o que significa que sua preparação precisa começar bem antes. Geralmente, as pessoas focam primeiro em tirar uma boa nota do TOEFL e GMAT, e em seguida começam a preparação de essays, cartas de apresentação, etc. A última etapa é a entrevista e discussão em grupo, etapa para qual você precisa ser convidado.

 

Os números da Wharton

No ano letivo 2016-2017, a Wharton teve 4.993 alunos distribuídos em 4 programas de graduação:

  • 2.559 alunos de graduação
  • 1.775 estudantes de MBA
  • 445 estudantes da EMBA
  • 214 doutorandos

 

Outras informações:
Ano de fundação da universidade: 1740

Ano de fundação da escola de negócios – Wharton: 1881

Número de alunos do MBA: classe 2019 – 863 total, 44%mulher, 33% estrangeiros.

Localização: Filadélfia, Pensilvânia, EUA

Principais cursos e duração:

  • MBA – 20 meses, full time;
  • MBA/Lauder: 24 meses, full time;
  • MBA Executivo: 24 meses, podendo ser na Filadélfia ou em São Francisco (neste modelo você pode continuar trabalhando, e precisa de aproximadamente 10 anos de experiência profissional);
  • PhD em 9 áreas ligadas a negócios;
  • Educação executiva: para várias áreas e diferentes durações.

 

Curiosidades: a UPenn tem 28 prêmios Nobeis, é a segunda escola com o maior número de bilionários. Ex alunos: Elon Musk (CEO da Tesla e Space X), graduação em Economia; Sundar Pichai (CEO Google), MBA; Donald Trump (45th Presidente dos EUA), Warren Buffet (Investidor, filantropista), Laurene Jobs (investidora), Mauricio Macri (president da Argentina), entre outros.

 

Você não pode perder: além de vários professores altamente capacitados (que todas as boas escolas também têm), você não pode perder o Wharton Startup Showcase e oportunidades de combinar estudo e viagens através dos “study abroad semesters”, Wharton International Program trips, ou Wharton Leadership Ventures.

 

O que aproveitar fora do curso: Filadélfia é uma cidade linda, com muita história, e perto de grandes cidades, como Nova Iorque e Washington DC, por exemplo. Há bastante para explorar na cidade, e também muitas coisas para fazer por perto nos finais de semana.

Que tal procurar um novo restaurante (como esse que a Daniella me levou, o White Dog Café, todo decorado com tema de cachorros – e delicioso!), experimentar o famoso sanduíche Philly Cheese, parar com amigos em um BYO beer e ir para um karaoke, ou se peder caminhando, como Forest Gump, “in the streets of Philadelphia”?

Veja esse texto também na minha coluna na Época Negócios.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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