Blog

INSEAD

INSEAD

O INSEAD, que aparece sempre entre as melhores escolas de MBA do mundo em diversos rankings, tem uma história recente – foi fundada em 1960, se comparada a outras escolas como Yale e Harvard por exemplo – mas nesse período, além de se manter uma escola com uma forte característica de diversidade, também se globalizou geograficamente.O INSEAD (sigla em francês para Instituto Europeu de Administração de Empresas) teve seu primeiro campus localizado em Fontainebleau, na França, e outros dois em Cingapura e Abu Dhabi. O ex-aluno João Paulo Seabra Santos (MBA 2014) teve a oportunidade de estudar nos três campi, e esse é um dos pontos altos da escola. Além disso, existe um hub em São Francisco. A escola tem como missão reunir pessoas, culturas e ideias para desenvolver líderes responsáveis que transformam os negócios e a sociedade.

E assim tem sido há mais de 50 anos: em sua primeira turma, em 1960, foram formados 45 estudantes de 14 nacionalidades diferentes.

Estive há algum tempo no campus de Fontainebleau, e recentemente no de Abu Dhabi. Com a ajuda de alguns alunos e ex-alunos, vou contar um pouco sobre nossa visão da escola.

Fernanda Thees, no campus de Fontainebleau (Foto: Arquivo pessoal)
Fernanda Thees, no campus de Fontainebleau (Foto: Arquivo pessoal) 

Algumas palavras usadas para definir a escola são intensa, diversa, colaborativa, descontraída e informal. Apesar da escola ter todos os pré-requisitos para ser competitiva, ela ocupa o outro extremo, com um clima muito colaborativo. As pessoas, em geral, querem realmente trocar experiências e estão muito abertas a aprender e conhecer novas “perspectivas”. Há muitas pessoas com histórias profissionais e pessoais incríveis mas, em geral, as pessoas estão lá para  dividir/ajudar os outros. O perfil geral é bem low profile/ humilde.

“Por ter uma duração mais curta, os alunos precisam balancear bem a vida social, estudos, career search e viagens. Isso torna a experiência muito intensa, e todas as pessoas são muito abertas para se conhecer e se ajudar”, diz Fabianna Bluhm, MBA de 2016, e atualmente Industry Manager no Facebook.

Bernardo Bonkoski, que atualmente frequenta as aulas no campus de Cingapura, me mostrou que a diversidade é realmente uma característica marcante da instituição. Para ele, como o corpo acadêmico e a experiência de carreira são igualmente fortes em outras escolas, o grande diferencial do INSEAD é a diversidade cultural, que permite a criação de um networking global, com colegas espalhados pelo mundo.

Intensidade, Dinamismo e Diversidade

Como o programa de MBA do INSEAD é comprimido em 10 meses, com 5 períodos de 2 meses, tudo acontece de maneira muito intensa e dinâmica. Fica visível que todos têm a mentalidade de que “não querem perder tempo” e talvez até por isso a proximidade entre os alunos acaba acontecendo de forma rápida e natural.

E isso reflete até nas horas vagas, que começam a aparecer mais a partir do quarto período, já que nos três primeiros, os estudantes ficam focados na parte core do curso. Nessas horas vagas, as viagens são sempre uma prioridade. No final da tarde de sexta, é comum encontrar os alunos reunidos no aeroporto de Cingapura, embarcando para algum lugar do sudeste asiático, principalmente. Os grupos costumam ser grandes, com 20 ou 30 pessoas.

As viagens acadêmicas também fazem parte do currículo. Os alunos têm a possibilidade de fazerem um intercâmbio para um dos outros polos do INSEAD durante o MBA, para experimentar novas culturas e experiências.

Enquanto Cingapura oferece vivências em uma grande metrópole, super conectada, por exemplo, o campus da França fica em Fontainebleau, uma cidade bem pequena e sem muitas atrações, mas que ao mesmo tempo promove uma grande integração da comunidade. Ou seja, um aluno do INSEAD consegue viver dois mundos completamente diferentes, se quiser.

Além disso, o viés empreendedor também é um destaque. Com muitos alunos que vêm de experiências da criação de negócios próprios, essa cultura faz parte da escola.

Ao mesmo tempo em que é possível encontrar pessoas com foco em tecnologia, e startups, também vemos muitas pensando em desafios que geralmente ficam esquecidos, como por exemplo o problema de alimentação em lugares da África.

Sobre os campi

O primeiro a ser criado foi o de Fontainebleau, na França. A escola, com instalações modernas, foi colocada no meio de uma cidade do século XII. A cidade fica a 55 km de Paris, o que faz com que a localização seja muito interessante. De um lado os aspectos de uma cidade pequena, e a integração entre os alunos que isso geralmente traz, e de outro a proximidade com uma das principais cidades do mundo em cultura e oportunidades.

Ruas de Fontainebleau (Foto: Arquivo pessoal)
Ruas de Fontainebleau (Foto: Arquivo pessoal)

 

Em 1999 o INSEAD percebeu a importância de ter um novo campus, e aparentemente a escolha foi excelente. Em Cingapura ,o campus não está localizado exatamente no centro financeiro da cidade, conhecido como Marina Bay – onde acontece a prova da Fórmula 1 e estão as famosas torres com a piscina infinita. Ele fica em uma área nova de Cingapura, onde também se encontram a Universidade Nacional e todas as empresas de tecnologia, como o Google e a Apple, além de aceleradoras. Basicamente, essa área consegue unir as universidades e todo o ecossistema de tecnologia, gerando uma atmosfera de muita troca e aprendizado.

Campus da INSEAD em Cingapura (Foto: Arquivo pessoal)
Campus da INSEAD em Cingapura (Foto: Divulgação) 

Por último, em 2007, o INSEAD começa atividades do programa executivo em Abu Dhabi e, em 2017, foi inaugurado o campus, com turmas de MBA. Estive recentemente nesse campus, onde encontrei a Zeina Sleiman, que é Associate Director do Alumni e Relações Institucionais. Ela me apresentou toda a estrutura da escola e, como em tantas outra  experiências que já tive com pessoas do INSEAD – institucionais ou alunos, ela foi muito solícita e dedicou boa parte do seu dia a essa visita. Ela comentou que o interesse por essa localização tem aumentado, mas que naquele momento não tinham muita procura de brasileiros.

Com Zeina Sleiman, no campus de Abu Dhabi (Foto: Arquivo pessoal)
Com Zeina Sleiman, no campus de Abu Dhabi (Foto: Arquivo pessoal) 

Vista do campus de Abu Dhabi, com vista para o museu do Louvre Abu Dhabi, ao fundo (Foto: Arquivo pessoal)
Vista do campus de Abu Dhabi, com vista para o museu do Louvre Abu Dhabi, ao fundo (Foto: Arquivo pessoal)

Aulas e professores

Um grande destaque entre as aulas da escola vai para a de Negociação, do professor brasileiro Horácio Falcão. Entre os professores, ele é conhecido por ser um showman.

No seu currículo, encontramos desde acordos do governo colombiano com as FARC até grandes negociações internacionais. Para se ter uma ideia de como a aula parece ser mesmo imperdível, nos últimos 15 anos, ele foi eleito o melhor professor de disciplinas eletivas por 14 vezes.

Além dele, outros professores citados foram Claudia Zeisbergergence – Private Equity, Joost de Haas – Managing Corporate Turnarounds, Pierre Hillion – Corporate Financial Policy, Applied Corporate Finance, Investment Management, e Massimo Massa – Applied Corporate Finance. Citaram também “Your First Hundred Days”, um curso intensivo em que você vive a experiência dos primeiros dias em uma empresa recém adquirida.

Rede forte e engajada de Alumni

A rede de alumni do INSEAD é muito engajada e diversa, tanto geograficamente, quanto em termos de indústrias e práticas. Para quem cursa o MBA, esse networking proporciona momentos interessantes, como encontros com ex alunos bem sucedidos que visitam o campus simplesmente para conversar ou dar mentoria para interessados.

Outras ações também surgem de acordo com o que acontece no mundo.

Com a COVID-19, por exemplo, o INSEAD fez uma comunicação para toda a rede de Alumni para verificar quem gostaria de participar de webinars ou publicar projetos que poderiam contar com a ajuda de atuais alunos.

Oportunidade que fez muito sentido para o Bernardo, que está trabalhando em um projeto de um time de futebol europeu. O objetivo é ajudar o corpo executivo a pensar em como vai ser o negócio futebol daqui a 15 anos, em 2035. Apesar de sempre ter sido fanático por esportes, ele nunca pensou em trabalhar nessa indústria e, de maneira inesperada, a rede de alumni proporcionou essa chance.

INSEAD e o COVID-19

Ainda falando do MBA em tempos de pandemia global, Bernardo destaca a postura transparente e ponderada adotada pelo INSEAD. Segundo ele, um comitê de crise foi montando, tanto por parte da escola quanto por parte dos alunos, para que os assuntos relacionados ao COVID-19 fossem tratados.

A agilidade na ação e a comunicação assertiva feita com os alunos acabou reduzindo bastante a ansiedade diante das incertezas e permitiu que todos buscassem alternativas para mitigar os eventos de toda essa crise. Neste momento (maio 2020) não estão tendo aulas nos campi.

Depoimentos

“O ambiente multicultural, em que nenhuma nacionalidade representa mais de 10% do total de alunos é incrível. Os “study groups” são compostos pela maior diversidade possível. Eu fiz parte de um grupo com um vietnamita-americano, um marroquino-francês, uma espanhola e um ucraniano, todos com backgrounds profissionais muito diferentes. Isso ajuda a exercitar nossa tolerância a pontos de vistas diferentes, e foi uma das experiências mais importantes que eu tive. … Eu fiz uma mudança tripla ao sair do MBA: era uma gerente de marketing no setor de cosméticos no Brasil e fui trabalhar em consultoria estratégica na Dinamarca, com diversos setores. Depois disso, fiz uma migração para o setor de tecnologia, no Facebook, em que a minha experiência pré-MBA (bens de consumo) e pós-MBA (consultoria) foram fundamentais. Fui exposta a experiências e oportunidades que não teria numa carreira linear.”
Fabianna Bluhm – MBA 2016, e atualmente Industry Manager no Facebook

Fabiana Bluhm (MBA 2016) com Gabriel Alves, Vitor Costa, Carolina Almeida e Andre Otaviano, comemorando o ranking de MBA número 1 pelo Financial Times (Foto: Arquivo pessoal)
Fabiana Bluhm (MBA 2016) com Gabriel Alves, Vitor Costa, Carolina Almeida e Andre Otaviano, comemorando o ranking de MBA número 1 pelo Financial Times (Foto: Arquivo pessoal)

 

“A meu ver, tudo lá é maravilhoso! A dica é: ir conhecer e entender o que te toca mais. Por exemplo, eu recebi offer letter para começar em Fonty. Após falar com muita gente, optei por trocar meu começo pra Cingapura!

O curso passa muito rápido (não tinha modalidade de MBA com mais de 1 ano). Tem um blend maravilhoso de corpo acadêmico top de linha nos mais diversos temas que envolvem gestão de negócios, com um corpo de alunos muito diferenciado (tanto em termos intelectuais quanto de experiência de vida). Fui para lá pra aprender colocando a mão na massa, com as melhores pessoas! Aprendo até hoje, só de lembrar.”
João Paulo Seabra Santos, MBA 2014, e atualmente Organizational Design Head no Grupo Boticário.

“Em INSEAD, você tem a oportunidade única de experimentar campus em locais completamente diferentes. Comecei o MBA em Fontainebleau e depois de 4 meses fui para Singapura. Mudar de campus tem um valor gigante na experiência no sentido de te forçar ainda mais “out of your comfort zone” – quando você acabou de se acostumar com a nova vida, você se muda para uma cidade completamente diferente onde precisa se familiarizar novamente com o campus, a rotina, a cultura local – e tem a oportunidade de conhecer novas pessoas. Singapura é um mundo completamente diferente de Fontainebleau, praticamente o outro extremo. Lá tive a chance de experimentar e de aprender muito sobre o mercado e cultura oriental nas aulas e também fora delas. Em Singapura há infinitas opções para todos os perfis: muitas viagens pelo Sudeste Asiático nos finais de semana, baladas e festas, bares, restaurantes para todos os gostos, parques, praias e museus. O “campus Exchange” faz a experiência do MBA ser ainda mais intensa, te traz uma oportunidade única tanto do ponto de vista professional quanto pessoal – na minha opinião é um must para quem faz INSEAD!
Letícia Gomes Maegava – MBA Candidate 2020

“No primeiro dia no campus você recebe seu tag, um plaquinha com seu nome e nacionalidade, que deve colocar a sua frente em todas as aulas para a classe e o professor te identificarem. Nas primeira semana tive que contar mais de uma vez as diferentes nacionalidades para me convencer que havia mais de 35 nacionalidades diferentes em uma turma de 80 alunos. Isso que esta era apenas 1 das 7 sections que iniciaram nos dois campi. A diversidade cultural sem dúvidas define o INSEAD. Mesmo tendo lido, ouvido falar, estudado, é só mesmo lá que você entende o que realmente isso significa. Uma das minhas grandes realizações foi a percepção da quantidade de vieses que carregamos sem perceber e como eles podem afetar nossos relacionamentos profissionais e pessoais. Singapura é certamente um dos poucos lugares do mundo que representa esta diversidade. Além disso, sua localização privilegiada no Sudeste Asiático tornava o aeroporto de Changi o ponto oficial dos happy hours de sextas-feiras quando nos reuníamos em grupos de até 40 pessoas para explorar uma grande metrópole ou relaxar em alguma ilha remota. A experiência do INSEAD é incrível e isso se deve muito às pessoas. Desde que estourou a crise do COVID, é incontável a quantidade de novas iniciativas lideradas pelos alunos em parceria com a escola e comunidade de alumi.”
Bernardo Avila Bonkoski – MBA Candidate 2020

Bernardo Bonkoski, com Enrique Mozo (Espanha) e Michal Wocjik (Polônia) (Foto: Arquivo pessoal)
Bernardo Bonkoski, com Enrique Mozo (Espanha) e Michal Wocjik (Polônia) (Foto: Arquivo pessoal)

 

“Minha impressão desde o primeiro dia de aula, no campus em Singapura, foi de que o prazo mais curto do curso do INSEAD, de apenas 1 ano, cria um senso de urgência nos alunos. Todos queríamos aproveitar cada conversa, cada curso e cada viagem – foram mais de 20 países conhecidos em um ano e dezenas de amigos de países diferentes com quem falo regularmente.

O INSEAD tem uma cultura única que se diferencia da maior parte das outras escolas por não ter uma nacionalidade dominante. Ao contrário, o valor dominante na cultura da escola é a diversidade e, junto dela, a curiosidade e a cooperação. Tudo é planejado para aumentar a exposição a novas experiências, a possibilidade de estudar em vários campi em continentes diferentes, os “study groups” compostos por pessoas de nacionalidades e backgrounds variados, a grade curricular intensa e o número quase infinito de atividades extra-curriculares.
Uma recomendação que faço a todos que ainda estiverem explorando possibilidades de carreiras diferentes é escolher a turma com início em janeiro para poder fazer o estágio de verão em julho e agosto. Eu fiz o meu em Londres e foi uma experiência que contribuiu diretamente para a escolha do meu caminho após o MBA.”
Aram Apovian – MBA 2017

“Insead oferece uma experiência muito única e intensa – comprimido em um ano, o MBA tem a maior taxa de alunos internacionais e te convida a re-pensar e re-estruturarse como pessoa e profissional.  Do lado de mentes brilhantes e pessoas muito sucedidas você aprende de fato o que é sentir não saber nada, humildade e colaborar com seu time para poder completar o programa. Uma pena que dura tão pouco mas talvez isso seja parte da mágica, deixa você com a vontade de querer mais, e depois quando você encontra com pessoas que passaram pelo programa tem um reconhecimento mutuo da vivência que tiveram o privilegio de ter.”
Nathalia Trutmann – MBA 2000

Nathalie Trutmann – MBA 2000 – foto na frente do 'castelo' onde morava, o Chateau Reclose, e onde o grande pensador George Gurdjeff também morou (Foto: Arquivo pessoal)
Nathalie Trutmann – MBA 2000 – foto na frente do ‘castelo’ onde morava, o Chateau Reclose, e onde o grande pensador George Gurdjeff também morou (Foto: Arquivo pessoal)

Outras informações | INSEAD

Ano de fundação da universidade: 1960

Números do MBA (classe 2020):
• 88 nacionalidades diferentes, com 96% da classe sendo internacional;
• 29 anos como idade média;
• 5,6 anos de média de experiência de trabalho;
• 34% de mulheres.

Números da rede de Alumni:
• 59.474 alumni;
• 166 nacionalidades.

*Fernanda Lopes de Macedo Thees fundou a Loite em 2007, onde trabalha com desenvolvimento de profissionais principalmente através do Coaching e MBA Prep. Mora em São Paulo, mas adora viajar, seja para Juiz de Fora para ver a família e amigos, ou pelo mundo

No Comments

Leave a Comment

Your email address will not be published.