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Harvard Business School

Harvard Business School

Você sabe o que os políticos George W. Bush e Mitt Romney, além da COO do Facebook, Sheryl Sandberg, têm em comum?Todos passaram pelas salas de aula da Harvard Business School, a escola de negócios mais famosa do mundo.Fundada em 1908, ela é referência por sua tradição e qualidade de ensino. Prova disso é que sempre figura na liderança dos principais rankings de MBA do mundo.

Para Maria Julia, que se formou  na turma de 2017,  “existem MBAs, e existe HBS. HBS é única e é a escola que criou o modelo de case-study. Então toda a faculdade é desenhada para fazer esse modelo funcionar. Além disso, o acesso a fundadores de grandes empresas, que são os protagonistas dos casos, faz com que a experiência de aulas seja muito mais envolvente e dinâmica. O forte networking profissional e pessoal que HBS fornece também é um grande diferencial.”

Ela é atualmente Senior Director de Client Success na Gympass, uma das starups que vem mais crescendo no Brasil, com presença em vários outros países. Sobre isso, ela comenta que a startup foi fundada por uma pessoa que fez um ano de HBS. “Quando eu fui ser entrevistada, falei com três pessoas que eram ex-HBS, e isso me ajudou bastante a me posicionar bem na carreira dentro da empresa”, diz Maria Julia.

Maria Julia Spinola de Miranda – MBA Class 2017 (Foto: Arquivo pessoal)
Maria Julia Spinola de Miranda – MBA Class 2017 (Foto: Arquivo pessoal)

 

A Universidade de Harvard fica localizada em Boston, em uma região dos EUA que costuma ser chamada de New England e tem um dos outonos mais bonitos que eu conheço, além de ficar às margens do Charles River. Algo que também sempre destaco é que Boston é uma cidade muito bonita, viva e bastante estudantil. Por lá, além de Harvard, há várias universidades: Boston University, Boston College e a Northeastern University são só algumas delas. Além disso, o MIT também fica ao lado.

O Charles River, em Boston (Foto: Arquivo pessoal)
O Charles River, em Boston (Foto: Arquivo pessoal)

Destaques da HBS

A marca principal do campus de Harvard é realmente a tradição, principalmente, em comparação com outras escolas de que já falamos por aqui na coluna.

A primeira coisa que muitos destacam é que a escola tem uma tradição e nome incríveis e que somente isso já abre muitas portas. Harvard foi uma das primeiras a ter o curso de MBA, as turmas são grandes (quase 1000 alunos por turma), e aí a conta do alumni fica fácil de fazer – você vai encontrar um ex-aluno do MBA em qualquer lugar do mundo. Isso é bastante importante, existem muitos grupos fortes de ex-alunos, inclusive em São Paulo.

Outro fator bem relevante é o foco em General Management. Embora você veja todas as vertentes com excelentes professores, talvez a escola não seja para você caso queira ter um foco específico em finanças ou marketing, por exemplo.

A escola te forma para ser um líder. Tem uma cadeira no primeiro semestre chamada LEAD, que te coloca em decisões difíceis de liderança, onde as pessoas podem discutir, com diferentes perspectivas, sobre as atitudes que tomariam. Matéria muito importante nos dias de hoje. Além disso, tem uma matéria mais nova, a ISDL (Interpersonal skills in development and leadership), do segundo semestre, que também reforça os princípios de liderança, incluindo como influenciar, negociar, se autopromover e, de fato, liderar pessoas. Tem também a BGIE (de economia e geopolítica), SMICI (strategic marketing in creative industries), que explica a estratégia de marketing de indústrias de entretenimento, e muitas outras.

Dois temas que têm recebido cada vez mais atenção da escola são tecnologia e startups. Existe claramente um esforço para contratar fortes professores nessas áreas, atendendo assim a uma crescente necessidade do mercado e dos alunos. Algumas iniciativas nesses temas são o iLab – uma comunidade e espaço físico onde empreendedores de Harvard podem se encontrar, o Rock Center for Entrepreneurship – doado pelo famoso venture capitalista Arthur Rock, e o Startup Bootcamp, uma matéria opcional dada no inverno, entre outras.

“A  missão da escola, de educar líderes que façam a diferença no mundo é seguida à risca e entregue todos os dias nos 3 pilares que considero importantes para um MBA: acadêmico, profissional e social. No lado acadêmico, o primeiro ano é bastante intenso e a magia do case method traz aprendizados incríveis e tira você da zona de conforto em todas as aulas. Quando penso em uma aula de HBS, me imagino em uma reunião com mais 90 pessoas geniais, de diferentes partes do mundo, trazendo suas perspectivas para a resolução de problemas reais do mundo dos negócios. Na esfera profissional e social, HBS, com sua reputação e tradição, permite a você conhecer alunos diferenciados e ter acesso a um network completo de profissionais de todas as indústrias e lugares do mundo. O MBA na escola é mais que um investimento, é uma experiência inacreditável, que muda completamente a sua vida pessoal e profissional.”
Miguel Furian Campos – MBA turma 2021

Miguel Furian Campos – candidato ao MBA turma 2021 (Foto: Arquivo pessoal)
Miguel Furian Campos – candidato ao MBA turma 2021 (Foto: Arquivo pessoal)

O Campus

Do estilo dos prédios até os espaços internos, tudo é bem diferente daquelas escolas com ar mais moderno. Até a cafeteria. Enquanto em Harvard ela fica no subsolo e é super tradicional, com paredes de madeira e um ambiente pomposo, em outras escolas é comum vermos este espaço ser construído ao ar livre.

Cafeteria da HBS, The Grille (Foto: Arquivo pessoal)
Cafeteria da HBS, The Grille (Foto: Arquivo pessoal)

A primeira impressão é que em Harvard existem menos ambientes que fomentem a comunicação e a integração: são muitas salas de aula e poucos espaços comunitários, por exemplo.

Também observei que, enquanto em escolas mais novas as paredes são coloridas ou brancas com uma caneta para você escrever e deixar as suas ideias, em Harvard vemos muitas obras de artes nas paredes. Resumindo, são espaços bem diferentes.

Corredor de salas de aulas na HBS (Foto: Arquivo pessoal)
Corredor de salas de aulas na HBS (Foto: Arquivo pessoal)

É verdade que os alunos da HBS são mais arrogantes?

Conversei com ex-alunos recentes e alunos atuais, e eles confirmam que isso é uma falácia! Harvard University, especialmente no undergrad, é uma escola muito competitiva. Harvard Business School, que é a escola de MBA, não é competitiva. É uma escola muito colaborativa e a competitividade não é incentivada. Por exemplo, é proibido dividir notas internamente, e no recrutamento. O foco da escola de Business é aprendizado e networking.

O Miguel Furian (turma 2021) comenta que, há muitos anos, talvez isso até tenha sido verdade, mas ele diz que, desde que foi ao evento de welcome da escola, não encontrou uma pessoa que tenha sido arrogante, ou que não tenha tido disponibilidade para conversar e tirar dúvidas.

“As pessoas tentam se ajudar”, diz Miguel. Em sala, cada um ajuda o outro em alguma matéria que tenha mais facilidade. Além disso, as turmas têm representantes de recruiting, de learning, e outros, para auxiliarem uns aos outros. Na hora da busca por empregos, parece que a ajuda mútua se repete.

O jeito Harvard de ensinar

No primeiro ano os alunos são divididos em sections de 90 pessoas cada, e você tem o RC Year (Required Curriculum), onde todos os alunos da mesma section assistem aulas juntos, e se forma aí um grande laço.

No segundo ano tem o EC (Elective Curriculum), quando você pode escolher as matérias que quer fazer, e assim também tem mais contato com pessoas que, no primeiro ano, eram de outas turmas. Neste segundo ano estão as matérias mais conhecidas da escola como “Como gerenciar e influenciar pessoas”, “Building and Sustaining a Successful Enterprise”, anteriormente dada pelo reconhecido professor Clayton Christensen (falecido em janeiro de 2020), e outras mais “pesadas” em matérias específicas, embora a escola se mantenha com foco generalista.

As aulas na HBS são todas baseadas em apenas uma metodologia, chamada de Case Method. Em 2018, quando conversei com Jim Aisner, Diretor de Mídia e Relações Públicas da HBS na época, ele me explicou que o método surgiu em Harvard mesmo, na escola de Direito.

Jim Aisner, em 2018, Diretor de Mídia e Relações Públicas, e Fernanda Thees (Foto: Arquivo pessoal)
Jim Aisner, em 2018, Diretor de Mídia e Relações Públicas, e Fernanda Thees (Foto: Arquivo pessoal)

 

Em 1918 (isso mesmo, mais de 100 anos atrás), a escola de Business começou a olhar para esse modelo como algo interessante a ser implementado também durante as suas aula e, desde então, este é o único método usado.

Explicando melhor, o Case Method funciona basicamente assim: os alunos recebem um estudo de caso, que muitas vezes é real ou baseado em fatos reais, para que estudem em casa. Durante as aulas, o case é discutido e os alunos têm a oportunidade de expressar as suas opiniões e as suas sugestões: quais ideias tiveram? Quais soluções irão propor?

O professor faz o papel de mediador e tem total controle sobre a participação de cada um – o que conta muito para as notas. Uma professora me disse que isso acontece porque, na sala de aula, os alunos têm um lugar definido. Cada um tem a sua cadeira específica e o professor tem um mapa digital com um resumo de cada pessoa e o local onde ela senta. Assim, quando um aluno participa, o professor vai naquele mapa digital e indica “fulano participou da minha aula”. Ele também tem como sinalizar se foi uma participação qualquer ou se a contribuição foi muito relevante, por exemplo.

Sala de aula – moderna e com os nomes de cada aluno (Foto: Arquivo pessoal)
Sala de aula – moderna e com os nomes de cada aluno (Foto: Arquivo pessoal)

 

O mais interessante do Case Method é que todos os alunos participam da aula. A medida em que o professor vai marcando quem participou ou não, ele chama pelo nome quem ainda não contribuiu, ou seja, todos têm realmente que se preparar, sabendo que não irão ficar muitas aulas seguidas sem participar.

Segundo alguns alunos, uma consequência do uso dessa metodologia é que talvez o ambiente da sala de aula fique um pouco mais competitivo (comparado com o que ouvem dizer de outras escolas), já que todos querem ter uma boa ideia ou uma solução mais interessante, mas não é em um nível que os incomode.

Ao longo dos anos, o Case Method ganhou tanta fama que outras escolas acabam comprando cases desenvolvidos em Harvard para aplicarem em suas próprias aulas. Segundo Jim, mais de mais de 10 milhões de casos são vendidos todos os anos.

Apesar disso, algumas pessoas já acreditam que o método precisa ser revisado, afinal, é usado da mesma maneira há mais de 100 anos. A grande questão levantada pelos críticos é: apesar da escola ser muito tradicional e renomada, forte dentro da Ivy League e estar sempre entre os primeiros lugares dos rankings de MBA, será que não é hora de reverem alguns pontos?

Harvard Bookstore (Foto: Arquivo pessoal)
Harvard Bookstore (Foto: Arquivo pessoal)

Na minha opinião, uma das coisas mais impressionantes de Harvard é a sua capacidade de produção acadêmica. Na Bookstore, há várias prateleiras que são só de livros produzidos na Universidade. É espetacular. Isso sem contar a Harvard Business Review, uma revista que é lida no mundo inteiro por pessoas do mundo corporativo.

Livraria da Harvard Business School (Foto: Arquivo pessoal)
Livraria da Harvard Business School (Foto: Arquivo pessoal)

 

Falando especificamente sobre MBA, um dos livros produzidos em parceria com a University of Chicago Booth School of Business, INSEAD, Yale School of Management e Stanford Graduate School of Business, se chama “Rethinking the MBA“. Ele questiona até quando o MBA vai e o que é preciso fazer para que se torne cada vez mais relevante e não o contrário. Os professores de Harvard que conduziram os estudos e reuniram as informações foram Srikant Datar, David Garvin e Patrick Cullen.

Outras informações | Harvard Business School

Localização: Boston, EUA
Ano de fundação da universidade: 1636
Ano de fundação da escola de negócios – HBS: 1908

Número de alunos do MBA (classe 2020):
• 930 alunos matriculados;
• 41% de mulheres;
• Salário médio: $ 8.179
• 37% de alunos internacionais, vindos de 69 países diferentes

Duração: os programas de MBA da HBS têm duração de dois anos, em tempo integral.

Alumni famosos: Michael Bloomberg, Meg Whitman, Michael Porter, Stephen Covey, Tyra Banks e Jorge Paulo Lemann.

Algumas palavras que definem a escola: Liderança, Case Method, Impacto, General Management, Global, Networking.

*Fernanda Lopes de Macedo Thees fundou a Loite em 2007, onde trabalha com desenvolvimento de profissionais principalmente através do Coaching e MBA Prep. Mora em São Paulo, mas adora viajar, seja para Juiz de Fora para ver a família e amigos, ou pelo mundo

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